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28/02/2021
Pesquisadores apontam condições necessárias para retomada de Aulas Presenciais em Escolas
Por: Danielle Tavares

 

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Visando contribuir para a tomada de decisão segura e eficiente na retomada das aulas presenciais, pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e do Escritório Regional de Saúde de Cáceres divulgam nota técnica conjunta, em que apontam critérios para reabertura das escolas, considerando os parâmetros propostos pela Fiocruz.

 

O documento apresenta um conjunto de seis principais indicadores. Esses vão desde a capacidade de atendimento do sistema de saúde e o perfil epidemiológico (como transmissão comunitária, taxa de contágio, disponibilidade de leitos, redução de óbitos, taxa de positividade), até a avaliação dos estabelecimentos de ensino quanto a condições de prevenção à propagação e resposta a casos suspeitos e confirmados de Covid-19.

A análise foi realizada para Cáceres e os 12 municípios que integram a região Oeste de Mato Grosso. Entretanto, o material pode nortear o retorno às aulas em diferentes locais, a partir da aplicação desses indicadores na realidade local.

Apesar da pressão para a retomada das aulas presenciais em escolas privadas, a decisão deve ser embasada em dados que reflitam a situação de cada município, de forma a não colocar em risco a vida e saúde de crianças, jovens e suas famílias. “Basear-se na premissa de que esse retorno não vai gerar aumento do número de casos de Covid-19, sem a devida contextualização do panorama epidemiológico local, constitui-se um risco”, avaliam os pesquisadores.

A nota técnica foi desenvolvida por uma equipe multidisciplinar, que inclui 12 pesquisadores das áreas de Enfermagem, Biologia e Farmácia, e integram o projeto de pesquisa intitulado “Covid-19: cenário na região Oeste de Mato Grosso”, institucionalizado pela Unemat.

INDICADORES DE AVALIAÇÃO

A proposta sugere que se conjugue pelo menos três indicadores primários (Veja 6 indicadores abaixo). Esses devem incluir duas medidas de carga de doença na comunidade e uma de autoavaliação sobre a implementação de medidas sanitárias nas escolas.

  1. REDUÇÃO DA TRANSMISSÃO COMUNITÁRIA

Essa analise considera o número de casos de Covid-19 na Região Oeste de Mato Grosso por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, de acordo com a data de notificação.

A taxa transmissão comunitária da Região Oeste nos últimos 14 dias mantém-se acima de 200%, o que configura risco elevadíssimo de transmissão nas escolas, conforme classificação proposta pela Fiocruz.

  1. TAXA DE CONTÁGIO

A taxa de contágio é a capacidade de um caso positivo contaminar outras pessoas. Ela é expressa pelo valor de R0 e deve ser inferior a 1, chegando a um ideal de 0,5 (quer dizer, cada pessoa contaminada transmitiria a menos de um), por um período de pelo menos 7 dias.

Observou-se uma tendência de queda na Taxa de Contágio nas últimas semanas e o valor taxa de contágio encontra-se abaixo de 1, na região. Entretanto, os números podem estar subestimados. “Atualmente, seja por sobrecarga dos serviços ou questões organizacionais, muitos casos ainda não foram registrados, mascarando as análises”, avaliou a enfermeira Antonia Maria Rosa, professora da Universidade do Estado de Mato Grosso, com doutorado em Ciências da Saúde.

  1. CAPACIDADE DE INTERNAÇÃO

Os leitos pediátricos para Covid-19 estão concentrados em Cuiabá, sendo necessária transferência dos casos que demandam internação. Nesta semana (15/02), dentre os 15 leitos disponíveis de UTI pediátrica no estado de Mato Grosso, 3 estavam bloqueados e 6 estavam ocupados (50% de taxa de ocupação).

No interior, 100% dos leitos de UTI adulto e 100% dos leitos clínicos estavam ocupados nesta mesma data, no único hospital da região Oeste que atende Covid-19, localizado em Cáceres. “Diante da lotação de leitos, os pacientes que necessitarem de internação, deverão ser encaminhados para referências em outras regiões como o Hospital Vale do Guaporé localizado em Pontes e Lacerda ou para Cuiabá”, disse Antonia Maria Rosa.

Ou seja, a região não atende ao critério para liberação das escolas quanto à disponibilidade de ao menos 25% dos leitos.

  1. NÚMERO DE ÓBITOS

Para ser incluído na faixa verde, considerada como de risco muito baixo, deve haver uma redução de 20% ou mais dos casos de óbitos comparando a semana finalizada com duas semanas anteriores, segundo Instrumento de Avaliação de Risco para a Covid-19 (Conass/Conasems).

Até o fechamento da semana 6 (que vai de 7 a 13 de fevereiro), a proporção de óbitos apresentou um acréscimo de 9% na região Oeste.

  1. TESTES POSITIVOS

No que se refere ao indicador que avalia porcentagem de testes positivos nos últimos 14 dias, a região Oeste está classificada como elevadíssimo risco de transmissão nas escolas. Conforme se observa no gráfico, a proporção de 34% de número de exames positivos se enquadra na categoria vermelho da classificação proposta pela Fiocruz. Se esse valor estiver maior que 10% deve ser enquadrado como “elevadíssimo risco de transmissão nas escolas”.

  1. CAPACIDADE DA ESCOLA PARA IMPLEMENTAR ESTRATÉGIAS DE MITIGAÇÃO

Além dos indicadores primários relacionados à taxa de contágio do vírus e capacidade de testagem pelo sistema de saúde, os pesquisadores alertam que é importante analisar também a capacidade da escola para implementar 5 estratégias principais de mitigação.

São elas: 1.Uso correto e constante de máscara; 2.Distanciamento social o máximo possível; 3.Higiene Respiratória e das mãos; 4.Limpeza e desinfecção do ambiente e 5.Rastreamento de contatos em colaboração com os departamentos de saúde locais.

A equipe preparou uma lista dos pontos de avaliação de cada uma individualmente e identificar as necessidades para investimentos financeiros, pessoal, treinamento, entre outros. (Veja abaixo, no final dessa reportagem).

Para o grupo de pesquisadores, antes de pensar no retorno as atividades escolares, deve-se controlar a pandemia tendo como referência os indicadores propostos pela Fiocruz associados à estruturação das escolas públicas e privadas de acordo com as orientações sanitárias para controle de surtos da doença.

“Temos que ter certeza que daremos conta dos ‘imprevistos’ que estão aqui previstos e que a escola é corresponsável pela gestão da pandemia no seu micro espaço (e noção do quanto este microespaço afeta a comunidade, o macroespaço). Os prefeitos, gestores escolares e de saúde e os membros dos comitês de enfrentamento à Covid-19 devem envidar esforços conjuntos para 1) controlar a pandemia o mais rápido e efetivamente possível e 2) estruturar as escolas para retorno às aulas sob pena de prejuízos elevados na saúde física, mental e no desenvolvimento de crianças e jovens e alto custo socioeconômico para o país”.

EQUIPE DE PESQUISADORES:

Unemat:

Antonia Maria Rosa (Enfermeira), Bianca Teshima de Alencar (Enfermeira), Ernandes Sobreira Oliveira Junior (Biólogo), Larissa Maria Scalon Lemos (Farmacêutica), Leandro Nogueira Pressinotti (Biólogo), Natasha Rayane de Oliveira Lima (Enfermeira), Shaiana Vilella Hartwig (Enfermeira) e Wilkinson Lopes Lázaro (Biólogo).

Escritório Regional de Saúde de Cáceres:

Bárbara Ferraz Bühler (Bióloga), Sandra Mara Fernandes Bonilha (Enfermeira), Sandra Torres Domingos (Enfermeira) e Sandro Luiz Neto (Biólogo).

 

 

 

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