Virada Política

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Virada política

RUI PERDIGÃO
RUI PERDIGÃO

O ano de 2016 vai ser importante para o Brasil. Politicamente falando, a previsão é para uma agenda muito cheia e densa. Transita para 2016 o processo de impeachment da Presidente da República e vários outros processos de investigação a várias personalidades que se configuram corruptos participantes de organizações criminosas, com funções em diversos órgãos e que em diferentes níveis muito têm dificultado o regular desenvolvimento do Brasil.

No processo de impeachment o Supremo Tribunal Federal foi chamado a prestar um respeitável serviço ao país, independentemente das naturais opiniões de apoio ou contrárias às decisões proferidas. O STF demonstra não só um elevado grau de autonomia como tem vindo a ser parte integrante de um Poder Judiciário, carro chefe das instituições brasileiras nos seus percursos de amadurecimento e liberdade no pleno exercício das competências que lhes estão atribuídas.

A prisão efetiva de deputados, ministros, senadores, governadores, presidentes de corporações privadas, apontam para que mais processos se seguirão na evidencia de um Brasil mobilizado em alterar uma triste prática na sua história. A corrupção. A impunidade de que uma elite criminosa desfrutava era, e ainda é, uma das maiores agressões sociais e um péssimo mecanismo para investimentos sustentáveis e estruturantes para a sociedade no seu todo. A voz da rua, desorganizada e expressa por todo o país nas manifestações de 2013 também ela transita para 2016. Mais justiça social, mais e melhores políticas públicas de educação, saúde, segurança e transportes serão, seguramente exigências da população abandonada.

O governo brasileiro avança para 2016 com o peso de doze meses de imobilização e com grandes fragilidades na sua base de apoio. E prova disso foi a recente vitória política do PCdoB, num espaço que por inerência competia ao PT preencher. A oposição ao governo, feita pelo PSDB seguirá em transito para 2016, mas também ela necessitará se reformular caso o impeachment não se concretize. Quem também precisa renovar é o PMDB que a cada dia mais capitaliza grande parte da responsabilidade no insucesso da gestão federal. Porém, em Mato Grosso essa renovação encontra-se já em curso com a angariação de novas militâncias com grande capacidade de penetração na opinião pública estadual. Já o PSB-MT entra em 2016 animado pelas probabilidades de uma boa vitória nas eleições municipais, contrariamente ao PSD que procura um novo caminho num cenário ainda muito inconsistente. PDT, PTB, PR entre outros partidos vêm na “janela para desfiliação” uma oportunidade para se reforçar, ou não. Assim, a renovação político-partidária, o aprofundamento programático ou posicionamento social, novas alianças e novos quadros coloca-se forçoso perante o que se começa a interpretar como o fim de um ciclo. Renovar é palavra de ordem e ou de sobrevivência.

Não menos importante para Mato Grosso, 2016 trará também um orçamento legitimo e não mais bastardo como o executado longo de 2015. Espera-se assim que o governo ganhe uma maior expressão na concretização das suas obrigações, dos seus projetos e melhoramentos da máquina administrativa.

Transita também para 2016, a execução prática de uma importantíssima decisão do STF. A proibição de partidos políticos e candidatos receberem doações de empresas privadas. Aguardam-se ainda desenvolvimentos decorrentes da lei da reforma política recém-aprovada no Congresso, mas uma coisa parece certa, as empresas, no seu exclusivo interesse econômico não mais vão poder exercer cobrança aos eleitos com o seu financiamento. Ninguém é ingênuo ao ponto de pensar que esses empresários não têm interesses por trás da sua participação no processo eleitoral e que alguma vez deixarão de exigir o retorno do seu dinheiro, devidamente acrescido de lucro. Os eleitos ficarão assim mais livres para realizar o que os cidadãos esperam deles. Seguramente haverá candidatos que irão sentir-se órfãos e completamente perdidos no desígnio da sua missão, mas desses já estamos cansados e pouca falta nos fazem. Para eles a atividade de pastoreio será uma empreendedora alternativa.

O ano de 2016 é um ano de eleições e a cada dia que passa o voto em políticas torna-se bem mais necessário do que o voto em pessoas.

Rui Perdigão – Administrador, consultor e Presidente da Associação Cultural Portugueses de Mato Grosso.

1 COMENTÁRIO

  1. A Virada Politica e um encontro anual para reunir em um mesmo espaco pensadores, ativistas e artistas. Um espaco para gente, ao mesmo tempo, aprofundar ideias, conectar acoes e se inspirar. Ja tivemos edicoes em 2014 e 2015.

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