Anna Beatriz Valentim Franco, escreve para concurso de poesia das mulheres negras

0
13

 

Scene 0 (00.00.04.300)

 Poetisa Anna Beatriz Valentim Franco escreve ‘Oitavida’

e fica entre as 10 primeiras colocadas em Concurso de Poesia,

em Cáceres/MT

 

 

Oitavida

 

[dropcap]A[/dropcap]manhã sonhei.
Com o hoje mudando.
Sequer me dei conta do ontem.
Continuei, mudando.

 

Esse meu ciclo, essa esfera, o espelho.
Estão me transformando.
O cristal dos meus olhos, brilhando.
O fogo e a lua.

 

Minhas dores cicatrizando.
Cicatrizando com vida, calor e chama.
A chama que revigora, antes da hora.
Renova.

 

Precoce.

Não, não irei chorar mais.

O fogo que arde no meu sangue,

vem do útero.

 

Sonhei que voava.
Sonhei que flutuava como O Buda.
A minha figueira brotava e na sombra eu descansava.
Corria nua, na rua.

 

Escaldante essa tua áurea.
Deixe-me com você, ser o amanhã que sonhei.
Pertenci aqui, quero pertencer ainda mais
E nesta tua áurea estar.

 

Queremos ser o número 3. Talvez o da sorte, 7.
Que tal o 9.
Permanecemos Oitavida.
Buscando, queremos o raio, o trovão da mudança.

 

Oitavida é real.
E.
Eu permaneço leal à está ideia imoral.
De querer ser real.

 

Não ser máscara, não ser enfeite ou criado mudo.
Não ser um objeto de luxo.
Estar completa por ser, não por que estou.

 

Sei, sei bem, estarei sempre desejando.
Loucura minha desejar.
Loucura minha querer falar.
Loucura minha acreditar na oitavida, número infinito e o mais lindo.

 

Foi quando ouvi a oitava de Beethoven.
Que meus olhos despertaram.
O futuro está muito próximo.
Está ali, aqui, no lar.

 

No peito, no leite.
No colo, no afeto.
Na mãe, na mulher.
Foi ai que desejei sempre desejar mais.

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui