DETRAN
PARALISAÇÃO
Taques descarta chamar
todos aprovados e
cortará ponto de grevistas
Governador diz que não pode convocar novos
servidores para evitar estouro da folha
RAFAEL COSTA

Diante da quarta greve enfrentada em seu mandato pelos servidores públicos do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), o governador Pedro Taques (PSDB) disse que vai cortar ponto dos servidores públicos grevistas se não houver retorno ao trabalho. Taques ressaltou que respeita o direito de greve dos servidores públicos, porém, lembrou que enquanto governador do Estado deve acatar ordens do Judiciário que já se manifestou pela nova ilegalidade. “A greve é um direito constitucional do cidadão. Eu, como senador, fui relator do direito de greve para os servidores públicos. Então no Brasil existe o direito de greve. Agora o Poder Judiciário reconheceu que a greve é ilegal e eu atendo ao Poder Judiciário”, disse.
A declaração foi dada durante solenidade no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que lançou a campanha de cadastro de biometria em Cuiabá. Conforme Taques, o Estado vai cortar o ponto dos grevistas e cobrar a multa de R$ 200 mil por dia estipulada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), que julgou a greve ilegal.
Uma das reivindicações dos servidores para encerrar a greve é a convocação, até o final de dezembro, de pelo menos 70% dos aprovados no último concurso público realizado em abril deste ano. Os servidores alegam sobrecarga de trabalho e que impera a falta de recursos humanos na autarquia, o que dificulta o atendimento a população.
Taques justifica que a convocação de aprovados em concurso público é uma prerrogativa exclusiva do governador do Estado. E, atualmente a convocação de servidores públicos iria onerar ainda mais a folha de pagamento que já está no limite da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). “Quem tem que dizer se vai chamar ou não é o Executivo. O parecer do TCE diz que nós já estouramos o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. Não posso convocar novos servidores sob pena de cortar gastos em áreas essenciais do Estado”.
A última tentativa de acordo do governo do Estado com os servidores foi feita em audiência de conciliação no Núcleo do Tribunal de Justiça que durou mais de cinco horas, com a presença do procurador-geral do Estado, Patryck Ayala, do secretário de Estado de Gestão, Júlio Modesto, e do presidente do Detran, Rogers Jarbas. Apesar do longo tempo de diálogo, não houve nenhum acordo.