Não perca! Cine Xin apresenta o “Mestre da Cultura Mato-grossense”

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Natalino, o trabalho de uma vida inteira

ASSESSORIA

Na segunda-feira (21) o Cine Xin, em Cáceres (MT), será palco do lançamento do documentário “Natalino Ferreira Mendes: mestre da cultura mato-grossense”. A exibição acontece das 19h30 às 21h30 e o audiovisual é fruto de projeto homônimo, aprovado pela Lei Aldir Blan, viabilizado pela Secretaria Estadual de Cultura, Esportes e Lazer – Secel-MT.

Aproponente do projeto, Olga Maria Castrillon Mendes, explica que, além do documentário, o projeto já lançou dois títulos, oriundos dos inéditos do escritor, num total de 3 exemplares. Além dos livros, foi criado um site onde estão colocados à disposição do público, todo o conjunto da sua produção, inclusive estas últimas. 

O objetivo das atividades do projeto está voltado para a revitalização do acervo do professor Natalino que, além da sala de aula, exerceu cargos de chefia na Prefeitura Municipal, acompanhando as várias gestões, no período de 1947 a 1980, quando se aposentou de todas as suas funções públicas. 

Natalino foi um pesquisador das coisas da sua cidade natal, pautando o seu olhar numa perspectiva do macro sistema de produção econômica e social brasileiro e internacional. Cáceres faz parte do processo histórico que teve início no ciclo dos bandeirantes paulistas, no grande ciclo do ouro que deu origem a Cuiabá e toda a parte central do ‘velho’ Mato Grosso’, no século XVIII. 

O município participou dos conflitos de solidificação da fronteira oeste e esteve na vanguarda dos acontecimentos históricos até a metade do século XX. Passou por períodos de ostracismo, em consequência da perda de grande parte do seu território geográfico, mas reergueu-se como polo educacional, de saúde e de turismo nacional e internacional. Essa crença e visão da sua cidade natal como pólo sempre foi a luta de Natalino, nos escritos históricos e, principalmente, na crônica e na poesia.  

“Como detentora do seu acervo e da biblioteca e na responsabilidade de filha, também estudiosa das coisas de Mato Grosso, sempre me vi envolvida com o autor em sua labuta cotidiana, momentos em que pude conhecer melhor o pai, o funcionário público, seus amores pela terra natal e, principalmente, a constante busca pelos sentidos da vida”, destaca Olga Mendes, que concebeu e coordenou o projeto. 

Olga destaca ainda que a figura e produção de seu pai passaram a ser seu foco de pesquisa, considerando que a obra de Natalino é de uma sensibilidade única, mesmo quando conta a história, ou faz crônicas da memória cacerense, que é também a sua própria memória e exercício de vida. “Com a sua morte, em 23/12/2011, essa memória tornou-se imperativa, dada a grande proporção e importância do seu legado para a posteridade. Não há como desprezar um acervo de milhares de livros, anotações de leituras, compilação de dados históricos que construíram o lastro de toda sua produção”, relata Olga. Dessa forma ela organizou toda a produção paterna e acolocou à disposição do público, em geral. “Este documentário surge como o primeiro passo rumo à democratização do acervo do escritor e às comemorações do centenário de nascimento, que ocorrerá em janeiro de 2024,” pontua Olga. 

PROFESSORA OLGA, FILHA DO “MESTRE NATALINO”, TAMBÉM ESCRITORA – ARQUIVO

O incentivo público, através da submissão do projeto à Lei Aldir Blanc/SECEL/MT/2020, trouxe a oportunidade de concretização da ideia, que tomou forma com apoio de colegas professores das Escolas Públicas, da UNEMAT e de companheiros da Academia Mato-Grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres, todas instituições das quais Natalino fez parte, tanto como associado quanto como incentivador das ideias, como é o caso do IHGC.

O projeto resulta de um lapidado trabalho coletivo, envolvendo seriedade e profissionalismo de pessoas físicas e jurídicas, atingindo todos os objetivos propostos:  edição de 3 livros, pela Editora Carlini & Caniato (com distribuição de 70% do total de um mil exemplares); construção do Site, que já está no ar desde novembro/2020, sob a responsabilidade de Umberto Rios Magalhães/Conectart Web Design e o Documentário, com produção da Terra do Sol Filmes/Leonardo Sant’Ana. Em decorrência da Pandemia e da emergência da prestação de contas, fizemos os lançamentos virtuais com a Empresa Giraldini/Leandro Peska, de Cáceres. 

O documentário, pela beleza das imagens e impacto da narrativa, merece ser visto na grande tela. Após o lançamento em Cáceres, ganhará exibição em Cuiabá, mas ainda não está definida a data. “Os primeiros passos estão palmilhados; resta-nos prosseguir com o processo de democratização do acervo, esperando que o município se interesse em assumir o acervo bibliográfico, através da Biblioteca Pública e do material pessoal, através do Museu Histórico Municipal”, enfatizou Olga Mendes. 

A filha de Natalino valoriza o raciocínio, segundo o qual, o legado intelectual das pessoas que, com imensos sacrifícios, amealharam livros, registros, pesquisas, que são bens materiais e imateriais, precisa de atenção especial: primeiro das famílias, responsáveis pela sua guarda e desprendimento de cessão e, em seguida do Poder Público, para que esse legado seja ampla e irrestritamente utilizado pela população estudantil e pelas gerações vindouras. Esse, talvez, seja o maior legado do professor Natalino e o aprendizado oriundo do projeto em pauta. “É preciso construir a consciência da memória, pois qual seria o objetivo do trabalho de uma vida inteira se vier a desaparecer na poeira do tempo?!”, conclui Olga.

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