Seca no Rio Paraguai iguala nível recorde registrado há mais de um século

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Em Mato Grosso, Cáceres passa pela mesma situação. Há muito não se via tamanha seca ao longo da extensão do Rio Paraguai

SECA NO RIO PARAGUAI, REGIÃO DE CORUMBÁ – REPRODUÇÃO FALA POVO, MIDIAMAX

Pelo lado do Mato Grosso do Sul, tem-se um dos piores períodos de estiagem da história. O Rio Paraguai, o 8º maior rio da América do Sul, com 2.695 quilômetros de extensão, passa por um momento desesperador. A baixa do Rio se igualou à seca de 1910, com -48 centímetros na cidade sul-mato-grossense de Ladário, segundo o boletim diário do Imasul (Instituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul).

A previsão do CPRM (Serviço Geológico do Brasil) era que o Rio Paraguai chegasse nesse nível apenas a partir da segunda quinzena de outubro.

Os portos de Ladário e Porto Esperança registram a cada dia uma diminuição das águas. Em Porto Esperança o nível da água está em -121. A cota prevista para estiagem nos portos de Mato Grosso do Sul são: São Francisco (346), Ladário (52), Porto Esperança (35) e Porto Murtinho (184).

Reflexos

A baixa histórica reflete em diversos setores, como o fluxo fluvial e nas estradas e até no turismo. O corumbaense, Nicola Miguel Mônaco, de 62 anos, é proprietário de uma pousada na beira do Rio. Para ele, a situação é assustadora. “Nunca viu o rio assim, sou nascido e criado no Pantanal, nunca vi o rio tão baixo”, descreve. “Tem prejudicado o transporte fluvial, está praticamente parado”, conta o senhor.

Marlei Bueno é dona de um hotel na mesma região e comenta que o baixo nível do rio afeta todo mundo de certa forma. “Eu não trabalho com pescaria, mas afeta tudo, porque muitas empresas não conseguem trafegar. Indiretamente todo mundo sofre”, relata.

Infelizmente, a situação no Rio Paraguai só vai mudar com a chegada de chuva. “Estamos na expectativa de que no mês de outubro venha a chover, mas não sabemos quanto, porém, vai precisar muito para recuperar os rios”, ressalta a coordenadora da sala de situação dos rios de MS, a fiscal ambiental do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de MS), Elizabeth Arndt.

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Segundo o Serviço Geológico do Brasil, há previsão para pancadas de chuva pelo rio. “Para as próximas semanas estão previstas ocorrências de pequenas precipitações na área da bacia do rio Paraguai, com uma maior incidência de pequenos acumulados de chuva, a partir da segunda semana do mês de outubro e se distribuindo de maneira aleatória sobre toda a área da bacia”, informa o boletim.

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