Servidor do Indea acusa policiais de agressão

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LAMENTÁVEL: TAMANHA COVARDIA…

Familiares de fiscal do Indea denunciam que o servidor sofreu agressões de soldados da Polícia Militar motivadas por racismo durante uma abordagem do veículo em que estava quando se dirigia para um hotel em Cuiabá. Foi enquadrado por desacato por não ter conseguido entender o que os PMs falavam com as máscaras. A vítima, deficiente auditivo, não entendeu que era para descer do carro com as mãos para o alto. Passou a noite numa cela da Central de Flagrantes do Verdão, depois de ter sido arrastado e recebido pontapés no abdômem desferidos pelos policiais. Ele estava acompanhado de outras duas pessoas no veículo, que não receberam o mesmo tratamento.

 

Benedito Joaquim Moraes Alvarez, 48, é servidor do Estado há 26 anos e, segundo sua esposa Fabiana Amaral Andrade, 40, ele sofreu uma rasteira para descer do veículo, parado pelos policiais. Caiu e bateu a cabeça no meio-fio, perdendo os sentidos em seguida. Após a queda, os policiais o teriam chutado no abdômem e, nessas condições, foi levado para a viatura, em seguida, para a Central de Flagrantes, de onde só saiu na manhã desta quarta-feira (11).

 

Segundo Fabiana, o casal mora em Cáceres e o esposo veio à Capital para uma consulta médica, pois deveria passar por perícia em decorrência de uma cirurgia que fez há 50 dias. Por ser fiscal do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), fica hospedado na sede do sindicato dos trabalhadores do órgão, localizado no bairro Morada do Ouro, que funciona como uma espécie de hotel para servidores em trânsito.

 

No entanto, quando Benedito chegou a Várzea Grande, vindo de Cáceres, o carro teve problemas que não deu para resolver de imediato. Por ser tarde da noite, recorreu ao cunhado (irmão de Fabiana), que mora no bairro Cristo Rei, para levá-lo ao local onde se hospedaria até a consulta médica.

 

Foi durante o percurso que o veículo Corolla teve ordem de parada pelos policiais. O carro seguia de vidros abertos com três pessoas, Benedito como carona, o cunhado na direção e o sobrinho no banco de trás. Na ordem de parada, os PMs mandaram os ocupantes sairem do veículo, mas devido ao problema auditivo da vítima, não obedeceu o comando, o que redundou na sequência de agressões e prisão.

 

Na manhã de ontem, segundo Fabiana, o seu irmão deixou a Central de Flagrantes mediante fiança de R$ 2.100, mas Benedito, muito machucado, apenas foi liberado. Ela acredita que pelo fato de ser servidor. Enfatizou que está vindo de Cáceres para Cuiabá, onde a família formalizará as denúncias de agressão e racismo na Corregedoria da PM. Sustenta que o marido foi vítima por ser negro, pois de todos os três ele foi o único a ser agredido. O irmão e o sobrinho são brancos, segundo a mulher.

 

Constrangimento 

Com o emocional abalado, o cunhado de Benedito que estava no veículo, Fabrício Amaral, relata que nunca sentiu tanto constrangimento. Jamais imaginei passar por tal situação, simplesmente por estar num carro de luxo, ao lado do meu cunhado, só por ele ser negro, lamentou.

 

A vereadora Edna Sampaio, que vem atuando em diversas situações de combate ao racismo na Capital, mostrou-se muito indignada com o registro. Enfatizou que, infelizmente, a sociedade é racista. O Estado é racista. Por isso todo preto é suspeito. Todo preto fora da senzala moderna que é a pobreza, a periferia, os ônibus lotados, os presídios, as ruas, as casas pobres, precárias, a doença, a exclusão, a violência. Esse é o lugar que esperam que nós, pretos e pretas, estejamos. Essa expectativa não é consciente, está no inconsciente do policial, que muitas vezes é preto também, mas não consegue ver que foi transformado em capitão do mato destes tempos, caçando negros que compram em lojas do shopping, que andam em carros de luxo, como se fossem negros fujões.

 

Outro lado

A Corregedoria Geral da Polícia Militar informou que até o momento não foi formalizada nenhuma denúncia relatando o ocorrido. O órgão da PM colocou-se à disposição para receber os denunciantes ou, caso não queiram se identificar, sugeriu que denunciem por meio do disque-denúncia da PM 0800.65.3939. Reforçou que está a disposição para receber e formalizar denúncia e adotar as medidas legais de apuração.

 

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