DISTRITÃO

0
19

PLENÁRIO

Relator da reforma política

se diz decepcionado com

resultado da comissão

“Estou apreensivo pelo futuro do nosso País, honestamente”, disse ele,

ao criticar a decisão pelo Distritão

Marcelo Castro
Castro: “Pegamos uma oportunidade de ouro dessas e jogamos fora.
Quem vai pagar isso? As gerações futuras”.
Foto Luiz Macedo/Câmara dos Deputados
Sílvia Mugnatto / Patricia Roedel

 

O relator da reforma política (PEC 182/07), deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), disse que ficou muito decepcionado com a posição da comissão especial que analisa o tema de apoiar o sistema majoritário para as eleições legislativas. Castro colocou o chamado “distritão” em seu relatório porque, segundo ele, o sistema reflete o que quer a maioria dos integrantes.

Pelo distritão, os mais votados em um estado ganham as vagas para a Câmara dos Deputados. A vantagem é que ele é de fácil compreensão.

Hoje, o sistema é proporcional; ou seja, as pessoas votam em candidatos, mas esses votos são somados para o partido ou coligação dos votados. As vagas são então distribuídas conforme essa votação.

Marcelo Castro avalia que é realmente complicado ter um sistema proporcional com votação em pessoas. A votação deveria ser feita diretamente nos partidos. Para contemplar a votação em pessoas com a votação em partidos, ele defendia um sistema misto.

O distritão legislativo não é adotado em praticamente nenhum lugar do mundo: “Eu fui surpreendido negativamente com essa postura da comissão. Eu lhe confesso aqui a minha surpresa e de certa forma a minha decepção porque nós debatemos durante todo esse tempo. Não teve um único, um único palestrante que defendesse o distritão. Unanimemente criticaram o distritão como um retrocesso, como um sistema que vai piorar o que nós temos hoje”, disse.

Segundo Marcelo Castro, dificilmente o Plenário terá uma decisão diferente da comissão especial: “Se a comissão de reforma política, que estudou, que debateu, que aprofundou, vota desse jeito… O Plenário, que não estudou, que não debateu, que não aprofundou, que não se dedicou ao tema com a obrigação que tem a comissão, vai acompanhá-la. Salve-se quem puder, eu não sei o que pode vir. Estou apreensivo pelo futuro do nosso País, honestamente”.

Marcelo Castro explica que os deputados podem estar perdendo uma chance única: “Tínhamos uma chance de ouro de fazer uma reforma política para corrigir os defeitos, aperfeiçoar estes mecanismos democráticos, fortalecer os nossos partidos políticos, diminuir a influência do poder econômico, aproximar a classe política da sociedade brasileira, permitir um controle social da atividade parlamentar. Nós pegamos uma oportunidade de ouro dessas e jogamos fora. Quem vai pagar isso? As gerações futuras”.

O relator da reforma política também criticou a transformação dos estados em distritos. Segundo ele, os estados deveriam ser pelo menos divididos em distritos menores.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui